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Rara orquídea azul, invulgar pedra preciosa,
meus sonhos te abraçavam, te choravam meus ais.
Quero cantar-te mil vezes, ó flor, em verso e prosa,
pois transformei meu desejo em imagens reais.
Em uma manhã menina, conheci tua beleza,
tuas águas, tuas gôndolas, teus palácios, teus varais.
Meus olhos te guardaram na retina, com delicadeza,
na lembrança linda, que não me deixará jamais.
Ainda vibram em minha alma teus violinos,
transportando-me ao tempo de meus ancestrais.
Lágrimas brotando, emoção, belos e antigos hinos,
coração batendo forte, doce, nas tardes invernais.
Em tua praça, as pombas ainda abrem suas asas,
minhas asas imóveis, por não te voarem mais.
Triste é Veneza, quando longe se está, em brasas,
lembrando tua magia, teu céu, tua luz, teus cristais.
Impossível te esquecer, impossível unir destinos,
ser doge, rainha, na fantasia dos teus carnavais,
a imaginação retorna aos teus templos bizantinos,
navego, novamente, em sonhos, pelos teus canais.
(Mirtes Sfredo Wicteky)
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