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Aspirações antigas,
perdoem-me o curto vôo.
A ânsia de infinito
reduziu-se ao meu quintal.

A tristeza chegou
e apossou-se 
do meu corpo efêmero
e da minha alma
desesperançada.

O céu imenso,
as gaivotas, 
e as luzes brilhando 
na água,
acendem em mim
a profunda ternura 
da lembrança
que fere meu coração
de saudade.

Hoje, a poesia
do mar
de esmeralda
me traz aos olhos
todo o Sentimento.

Não há como fugir.
Belas asas dilaceradas 
e não cicatrizadas.

Gotas de sangue
sobre brancas plumas.
O corpo estéril
busca seu prolongamento
ausente.

A alma, confusa
perdeu o espaço,
o céu,
o norte.

O tempo, impiedoso
levou
os sonhos, 
que desabam
em água.

(Mirtes Sfredo Wicteky)

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